
Você contratou um vendedor para vender. Se olhar a agenda real dele, boa parte do dia é digitação.
Não é preguiça e não é falta de disciplina. É o desenho do trabalho.
Resultados Exponenciais21 de agosto de 20262 min de leitura
Você contratou um vendedor para vender. Se olhar a agenda real dele, boa parte do dia é digitação.
Não é preguiça e não é falta de disciplina. É o desenho do trabalho.
Sexta-feira, dezessete horas. O vendedor abre o CRM para "atualizar as coisas" antes de fechar a semana. Ele teve umas trinta conversas nos últimos cinco dias, entre WhatsApp, ligação, e-mail e uma visita. Agora precisa lembrar o que foi dito em cada uma, em que pé ficou, e transformar isso em campo preenchido. Ele faz o que qualquer pessoa faria: preenche o que lembra, arredonda o resto, e coloca uma data de próximo contato que parece razoável.
**Qual é o custo real disso?**
Não é a hora perdida na sexta. É que a empresa inteira vai tomar decisão em cima de um dado registrado de memória, três dias depois do fato, por alguém interessado em parecer bem no relatório. O gestor olha o funil na segunda e enxerga uma fotografia que nunca existiu.
Nas operações que a gente abre, o tempo administrativo do time comercial costuma se concentrar em cinco lugares, sempre os mesmos:
1. Registrar no sistema o que já foi conversado em outro canal.
2. Copiar dado de um lugar para o outro, do formulário para a planilha, da planilha para o CRM.
3. Montar proposta do zero, refazendo um documento que já existe em outra pasta.
4. Procurar histórico antes de retomar um cliente, porque o histórico está espalhado.
5. Preparar número para a reunião de gestão, que é relatório feito à mão sobre dado feito à mão.
Some isso e você tem um vendedor caro executando trabalho de apoio, com uma diferença cruel: o trabalho de apoio dele é malfeito por natureza, porque é feito no fim do dia, com pressa, de cabeça.
Tem uma pergunta que a gente faz nas primeiras reuniões de diagnóstico e que costuma constranger: em que momento exato do seu processo o dado nasce? Se a resposta for "quando o vendedor lembra de cadastrar", então o seu CRM não é um sistema de gestão, é um caderno digital com campos obrigatórios.
Dado bom nasce como subproduto da execução, não como tarefa separada. Isso é uma decisão de desenho de processo, e ela vem antes de qualquer discussão sobre qual plataforma usar.
O sintoma mais fácil de checar hoje: olhe os horários de criação e edição dos registros do seu CRM no último mês. Se a maior parte estiver concentrada em sexta à tarde ou na véspera da reunião de pipeline, você já sabe o que está acontecendo.
Na sua operação, quantas horas por semana o time comercial gasta alimentando sistema em vez de conversar com cliente? Alguém já mediu isso de verdade?
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